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Reflexão do Evangelho


20.10.2019: 29º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Êxodo 17,8-13; Salmo 120; 2Timóteo 3,14-4,2; Lucas 18,1-8

NÃO TEM OUTRO JEITO: TEM QUE REZAR!

Os amalecitas vieram atacar Israel. E Moisés com seu povo se preparou e foi combater. É a guerra de defesa. Contra agressores. A Bíblia só aceita este tipo de guerra. E por isso existia a “lei do anátema” (“herem”): os hebreus não podiam se apropriar dos bens dos inimigos vencidos. Deviam, sim, destruir tudo, para não se habituarem às guerras de conquista (conferir Josué 6,18.21).

O Catecismo da Igreja ensina que a guerra só é válida em legítima defesa. Para isso, deve haver condições claras e objetivas (nn.2308 e 2309). Na história da Igreja, várias vezes os papas tiveram que conclamar o povo e autoridades a partirem em defesa da pátria contra agressores e invasores, como nas cruzadas. É muito conhecida a batalha de Lepanto, organizada pelo papa São Pio V, e que foi vencida graças à intensa oração do rosário (7 de outubro de 1571).

“E enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia; quando abaixava a mão, Amalec é que vencia”. Aqui o termo “mão” está no singular. Quer dizer, Moisés segurava o “bastão maravilhoso”, ou o “cajado do Senhor”, o “cetro de poder” (v.9: “mathé”, em hebraico; é o mesmo termo do Salmo 109,2: “O Senhor estenderá o cetro do seu poder” (“mathé huz”). Cetro era um bastão símbolo da autoridade de um rei.

As mãos de Moisés ficaram pesadas. Aí, então, duas pessoas, Aarão e Ur, as sustentavam erguidas, e Israel vencia. Na verdade, o texto não fala que Moisés rezava. Mas dá a entender que Moisés segurava erguido o bastão, símbolo da autoridade que Deus lhe havia concedido. Então rezava desse jeito. A espiritualidade cristã sempre viu aí a necessidade e a importância da oração. Nisto Moisés foi exemplar.

Por sua vez, Jesus, no Evangelho de hoje, ensina que devemos insistir na oração. Pois nossa vida é uma luta contínua. Temos que combater numerosos inimigos. internos e externos Às vezes a gente se pergunta por que os santos são santos. São santos, em primeiro lugar, porque rezaram muito. Dizem que Santo Antão ficava feliz ao chegar o inverno, quando as noites ficam mais longas, e assim tinha mais horas para oração. E mesmo assim se queixava que as horas passavam tão depressa.

Aliás, cada santo tem uma história diferente ligada à oração. Nesses dias foi celebrada a santa Alexandrina de Balasar (Portugal, 1904-1955). Nos seus últimos 13 anos de vida, se alimentou unicamente do Pão Eucarístico, a hóstia consagrada. Ficou paralítica ao pular da janela para fugir de bandidos. E, paralítica, permanecia dia e noite olhando, mentalmente, para algum dos sacrários que tinha conhecido. E dizia: “Você, Jesus, é o prisioneiro do tabernáculo, e eu serei a lamparina”.

Os chamados monges do deserto ensinavam coisas tão simples e tão verdadeiras como esta “lei” da vida espiritual: “Quanto mais se reza, mais vontade se tem de rezar; quanto menos se reza, menos vontade se tem de rezar”.

E já que estamos no mês missionário, podemos recordar esta “lei do missionário”, ensinada por São Charles de Foucauld. Dizia ele: Há duas maneiras de fazer o cavalo andar. Uma delas é dar-lhe chicotadas. Outra é dar-lhe boa e abundante ração. Pois é. Quem evangeliza precisa de boa “ração”. Pouco adianta ficar gritando, xingando o mundo e dando chicotadas.

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